Matérias
Bruno Faucz: a relação entre indústria e design

Bruno Faucz: a relação entre indústria e design

                                                                                   

O designer Bruno Faucz é um catarinense que conquistou o Brasil com seu trabalho. Suas peças já foram exibidas em diversos lugares do mundo e também fizeram parte de exposições em hubs do DW! São Paulo Design Weekend na última edição. Movido a desafios, o profissional conversou com o festival para falar sobre seu trabalho, como o mercado, a indústria e o design estão atrelados e como enxerga o design brasileiro em relação a outros países.


DW! – Ser designer foi sempre seu sonho?
BF - Desenho sempre foi uma paixão. Quando eu decidi minha profissão, queria algo que fosse desse universo criativo. Prestei vestibular para Publicidade e Propaganda e para Design de Mobiliário, sendo minha primeira opção o curso de publicidade, mas só fui aprovado em Design, na Universidade do Contestado, em Santa Catarina. Quando comecei a faculdade, ainda não tinha certeza, mas sabia que poderia aplicar a criatividade dentro dessa área e fui me apaixonando pela profissão cada vez mais.


DW! - Como tudo começou?
BF - Tive professores que viviam a prática da profissão no dia a dia e isso me despertou a vontade de trabalhar numa indústria antes de abrir meu próprio escritório. Por isso, quando terminei o primeiro ano da faculdade, comecei a trabalhar em uma fábrica da minha cidade e fiquei lá por sete anos. Foi uma escola e um tempo de aprendizado gigante. Entendi como tudo funciona, como se relacionar com o mercado, formação de preço, engenharia de produto, como é um ciclo de um produto dentro da indústria. Desde a chegada das tábuas de madeira até elas virarem efetivamente um produto.


DW! – Quando resolveu empreender?
BF – Saí deste emprego em 2013 e neste ano abri meu escritório. Acredito que o sucesso só aconteceu porque existiu esse tempo dentro da fábrica, que me deu base para poder exercer de maneira coerente a profissão de designer. Logo em seguida, já fechei parceria com boas fábricas e recebi convites para expor em Paris, em Nova York e em Milão. Meus produtos acabaram rodando as principais capitais de moda e de design do mundo. Eu também fui convidado para colocar minha poltrona Canela em um livro que conta, através de imagens, a história do design brasileiro voltado a mobiliário de assento.


DW! – O que faz quando tem uma ideia nova?
BF - Imediatamente eu a registro. Pego um caderno e desenho para não perdê-la porque a nossa cabeça trabalha com muita informação, a todo momento. Então, quando acho que pode ser relevante, eu sento e desenho à mão. Não gosto de fazer isso no computador porque ele limita muito o processo criativo. Só o utilizo se gostar da ideia presente no papel.


DW! - Como funciona seu processo criativo?
BF - O processo criativo é constante e orgânico. Faz parte do meu dia a dia. Quando estou em um lugar público, costumo observar e ver como as pessoas sentam, como as pessoas interagem com os produtos que estão ao redor delas e sempre procuro pensar em uma maneira de tornar aquilo mais agradável quando eu identifico que existe algum tipo de dificuldade. Meu processo é mais de observação do que filosófico.


DW! - Você costuma dizer que trabalha sob três pilares – mercado, indústria e design. Conte-nos o que isso significa no seu dia a dia.
BF - São coisas que necessariamente precisam andar juntas. O design é uma ferramenta de negócio, que vai potencializar o negócio da indústria, pode e deve potencializar o mercado. Esses três pilares formam o sucesso de um produto. O designer precisa estar conectado totalmente com o mercado, com a indústria e saber como funciona o processo industrial. É importante entender a informação que vem do mercado e dominar as ferramentas de processo criativo para usar isso de maneira inteligente e entregar as melhores soluções.


DW! – Uma das características de seu trabalho é a mistura de materiais. Como funciona essa seleção?
BF – Gosto de mesclar materiais diferentes porque dá mais personalidade para o desenho. Mas é necessário ter cuidado com a proporção e como pontuar cada material. Tenho um olhar bem crítico em cima dos meus desenhos. Procuro criticar ao máximo meu projeto e o modifico até que ele chegue em sua melhor versão.


DW! - Como o design brasileiro está posicionado em relação ao internacional?
BF - O design brasileiro tem ganhado muito espaço fora e acho que vai continuar ganhando. O desenho nacional é bom, a indústria tem melhorado e o designer brasileiro tem se profissionalizado. A tendência é só crescer.

Compartilhe essa página
Patrocínio
Patrocínio
Apoio
D&D
Senac
Uniflex
Shopping Pamplona
Parceiro de Mídia
Globo
Folha de São Paulo
Mídia Setorial
Casa Vogue
Projeto
Mídia Digital
Oli Oli
Realização
Realização